4ª Edição · 2024
Mostra Brasileira de Curtas-Metragens
20 filmes selecionados de diferentes regiões do Brasil, com recorte político-estético de curtas-metragens realizados pelas e nas periferias.
Sessão Notícias de Casa
27 nov · 14h–16h30 · Auditório do IFB
Estímulos sensoriais a toda vista: são vibrações sonoras, visuais que chegam ao farol. Aqui, é o único lugar seguro para sua pele. A performance é o seu manifesto de defesa ao mundo. Mas também onde é possível partilhar com o outro o que acontece com cada trama do seu corpo—casa. Atitudinal vem e vai pela cidade de Goiás sinalizando e nos aproximando do que é o farol. Habito diante da televisão, um pensamento do corpo que se revela à beira do rio. Urucuia, grande rio de águas escuras, permeia quem o adentra. De mistérios nos transforma. E O Canto que quase como uma porteira do seu interior, ecoando do peito como quem sente saudades de casa.
Sessão Táticas de Fuga
27 nov · 19h · Auditório do IFB
"os moleque cata umas moto sem placa, para na frente da viatura e fica vram vram vram [...] se tem alguém que vai fazer a revolução é esse moleque. essa coragem não é para qualquer um." Galo de Luta
Qual fuga um filme pode dar? Que polícias rondam as imagens que produzimos? Em Justa-Causa: Motoboys Kamikazes uma moto voa entre prédios escapando da polícia-maquina-cachorro. Em Madruga Bikes o desenho de uma nova bicicleta neon faz amigos se encontrarem. Em Paxu é na liberdade de intervenção sobre a imagem que a fuga acontece. A água, os animais, os arquivos perturbam a sacralidade do mapa. Fugir nem sempre é evitar o mundo, mas pode ser forma ativa, uma ação.
O flash da fotografia é o mesmo da multa. A imagem é escape e captura.
Sessão Da Ponte para Cá
28 nov · 9h–11h · Auditório do IFB
O que você é diante do lugar de onde veio? Casita nos acolhe, Tecendo Caminhos mostra as costuras itinerantes dentro do DF, Provisório nos lembra do direito a ir, vir e ficar, Vamos em Batalha encontra a experiência das crianças com sua comunidade. Da ponte pra cá traz filmes que refletem sobre pertencer onde se está, quem se é e até que lugar do nosso vasto mundo pode se chegar.
Sessão Corações Selvagens
28 nov · 16h–18h · Auditório do IFB
Me dê feitiço e fogo.
Desejo o impossível, tubarão e crocodilo.
Meu coração selvagem tem pressa de viver.
Eu fecho os olhos e escuto.
Pois eu acho que depois do medo vem o mundo.
A memória se faz a partir do contato com aquilo que sobrevive e se refaz após um Incêndio. Na cartela vermelha, é possível ouvir o fogo cavando as camadas da imagem, e anunciando uma brecha em forma de coração. Monalisa torna-se espelho à medida que se triangula a cena, há uma partilha de um modo de ver e se ver no mundo. Na tensão do que se imagina como esvaziamento das cores e da vida, a súplica quer segurar o presente. Tal como em Um Mal Necessário, talvez melhor abrir mão do pedido e deixar correr o rio, o diabo espreita os que não se arriscam em águas desconhecidas.
Todavia o carnaval no inferno não cessa enquanto Exu já caminha em direção ao mar. Nesse encontro, tacou-se a pedra no pássaro enquanto entoava: A loucura é a gente aprender a se amar.
Sessão Começo Meio Começo
29 nov · 16h–18h · Auditório do IFB
O mundo forjado no balanço da rede.
Da disposição para uma enunciação do mundo. Da autonomia para com as verdades no mundo. Dessas percorrem cosmologias nos grãos de desejo, dúvida e memória que compõem os filmes.
Viver um passado como um gesto de entrega. Em Thuë pihi kuuwi - Uma mulher pensando, a entrega é encontrar os ancestrais, ouvir suas histórias e tornar-se bicho. Reaprender a estar no mundo. Desorbitar seu centro. Habitar o movimento e reconhecer o cosmos enquanto coletivo vivo. Lembrar que o nome do mundo é floresta, enquanto se tensiona sua oposição, a cidade e seus modos exploratórios que excluem toda a possibilidade de vida. Em Expresso Parador, o ônibus circula, mas prende. A viagem não é compartilhada e, novamente, é preciso forjar um mundo que sustente uma vida encurralada. É preciso forçar o convite, reivindicar a reparação de um passado e fazer do presente, ficção: uma ficção de encontro, de confissão, de conversa. Uma travesti e um padre. Em Sagrada Travesti do Evangelho, ainda assim, não é possível adentrar a igreja. A possibilidade talvez seja uma terceira presença — em BAOBAB, rompemos o plano e contraplano para dar boas-vindas a quem sempre esteve ali.
Quatro personagens que sustentam suas dissidências no mundo em corpos sentados, mesmo que em movimento: rede, ônibus, carro, banco da praça. É preciso resistir ao tempo que se anuncia e estar atenta aos avisos de sua chegada.
Dentro do movimento, numa coligação com esse todo, se inserem resquícios fragmentários do nós. Aí se movem relações microcosmo-macrocosmo que compõem estes universos.
Confira também os 55 filmes da 2ª Edição 2020 avaliados pelo Júri Popular, com fichas técnicas completas.
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